As dores de Harry
Harry Maergelstein a partir de seus 50 anos sofria de terríveis cãibras nas pernas. Ao verificar com seu clínico e também com o urologista a razão, ouviu aquilo os médicos são sempre muito precisos:
- "Não se sabe exatamente, apenas que ocorre na terceira e última etapa da vida e mais em homens que mulheres".
E assim Harry foi às consultas menos médicas. Ouviu de sua tia, a quem devia o prenome, Harriet Sophie Maergelstein, ser algo ligado à falta de magnésio. Enfermeira aposentada, estimou que ela deveria ter algum conhecimento. Foi à farmácia na rua 42, de seu primo Julian Maergelstein Cohen e esse prontamente lhe vendeu frasco imenso de 500 cápsulas brancas com magnésio. E elogiou a recomendação da tia conjunta. Como todo farmacêutico deixou claro:
-"Os médicos não entendem muito disso, primo."
Ainda incluiu 4 pirulitos Lolipop Cherry Blossom de brinde, e sem solicitado, a regular a acidez estomacal, um frasco de magnésia bisurada com o aviso:
- "Vai precisar, muito magnésio requer magnésia!"
Porém não ocorreu qualquer alteração. À medida que os anos passaram, com o magnésio e a magnésia, as cãibras insistiam, sempre à noite, a lhe trazer grande incômodo. Dores lancinantes. Terríveis, a concentrar-se não desmaiar.
Criou técnicas curiosas para imaginar dominar a situação. Como pular, esticar as pernas como havia visto o corredores no parque fazerem antes de se jogarem pelas alamedas correndo atrás da saúde. Meias Kendall, elásticas pesadas, também recomendação de tia Harriet e prontamente vendidas pelo primo Julian.
Nada resolvia.
Por volta de seus 70 anos e o advento da Inteligência Artificial procurou aquilo de mais avançado havia sobre o tema. Todavia deparou-se com informes os médicos já apresentaram com precisão no passado:
-"Não se sabe!"
Tentou em espécie de spa medicinal algo se denominava do alemão Wasserkur, certo tratamento hidráulico. Havia aquela escada suave com água corrente em lindo parque, lá pelos lados de Rochester.
Descalço, era ordenado subir e descer os degraus longos, total de uns 400 pés, por 2 horas seguidas. Era altamente estimulante, mas para urinar. Só isso. Além do frio sentia. Porém à noite, desprevenido e deitado em quarto ascético despido de material pudesse lembrar os males da civilização, vieram as contrações terríveis. Recomendaram paciência, o efeito curador viria...
Harry era comerciante bem-sucedido de relógios. Além de relojoeiro amador nas horas vagas. Seu fascínio pelo tiquetaquear era conhecido. E um cliente seu era o rabino Roman Julius Maergelstein. Também primo. E reclamava muito dos consertos, principalmente dos preços. A irritar seu fornecedor-primo e relojoeiro.
Gostava o guia religioso de relógios Vacheron & Constantin. Ao levar conserto solicitado pelo rabino-primo em um modelo Patrimony, ousou perguntar se esse poderia ajudar com a questão das cãibras.
Afinal dizia-se e esperava-se esses tipos tinham lá suas conexões divinas e talvez pudesse auxiliar. Roman pensou um pouco antes, olhou para as pernas de Harry e de forma sintética e rápida detonou:
- "Nesse caso, caro primo, não vou invocar conceitos religiosos. Mas remeter a talvez o maior judeu do século XX, Sigmund Freud. Pelo que me conta, as cãibras ocorrem sempre e acentuadamente quando você se irrita com algo imprevisto, como eu reclamar dos preços e consertos dos relógios. Portanto procure não se irritar. Fuja disso. É possível. Ignore os temas, passe por cima. Nem tudo é possível resolver-se."
Harry adicionou o comentário de mais um primo ao rol da procura de soluções para o tema. Com o resultado previsível.
Nenhum.