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Espaço de reflexão Hermógenes de Castro e Mello

Uma tarde com baleias

Por Luiza T. Bussius, Ilhéus, Setembro de 2026.

Imensidão do mar. Massa volumosa elástica. Ondas gordas que nos movimentam no barco. Nossa insignificância, nossa desterritorialização. Sem chão, flutuando nessa grande massa azul. Quantos metros abaixo de profundidade? 50 metros? 100 metros?

Sabemos tão pouco dos mistérios do oceano. Das profundezas das águas escuras. O planeta água. Litros, metros cúbicos quase inimagináveis a nossa compreensão terrena. Somos mamíferos terrestres, apesar de nos lançarmos em águas marinhas.
Eis que ao longe: um esguicho. Um jato de água. Um resquício de fumaça no ar acinzentado. Um, dois, três, quatro. Uma força. Um respiro. Mamíferos como nós. Encontramos elas. Momento tão desejado. Há mais de ano tinha essa grande curiosidade para conhecer as baleias.

Amamentam seus filhotes na água salgada, mas sempre sobem a superfície para respirar. 
O nado/dança comovente. Ali adiante subindo e logo depois submergindo outra vez. Minutos depois, bem ritmados elas voltam. Sopram outra vez o ar. Mostram sua dorsal, suas corcundas, seu grande corpo pesado que desliza pela água e some na imensidão do mar. Nossa pequenez se faz evidente. A lancha fica pequena, a cidade também. Ao redor aquele horizonte de água. Apenas mar e céu. E elas.

Quando nos momentos finais de gravidez me sentia grande como uma baleia e depois amamentando como uma vaca, e depois reclamando com a cria como uma onça, vou reunindo vestígios de uma ancestralidade mamífera em comum, seja terrestre, seja aquática. Ela mesma, baleias, há hipóteses, de que saíram ao solo, mas retornaram ao mar. Talvez mais silencioso que a grande movimentação terrestre. Talvez mais profundo, mais azul, mais espaçoso. O balanço somado à emoção foi marejando. Mareando. O estômago formando um nó. A respiração profunda e olhar o horizonte como forma de aterrar. Um balanço que não cessa. E lá vem elas mais uma vez. Estonteantes. Gigantes. Vigorosas. Lindas damas do azul profundo.

Sua passagem, abrindo caminho nas águas, suas marcas de um peso que movimenta litros e litros desse maravilhoso caldo salgado.

Pura reverência a elas. Sua espécie, sua migração, sua força, sua perpetuação aqui nesse planeta. Tão vivas como nós. Tão sublime evolução da vida. Vida cheia de mistérios, cheia de lacunas de compreensão. Vida que pode apenas ser avistada, apreciada, contemplada, nutrida.

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Denise - 30/09/2026 (09:09)

Quero visitar as baleias para sentir semelhantes emoções.